E as estrelas? Qual a graça das estrelas? A magia, o feitiço? Como chego até elas?
Por que não a lua? Muito mais brilhante e imponente, quando cheia então, bem mais encantadora. Tem histórias, mitos, se encaixa em músicas e declarações, por que não a lua?
Não, eu quero as estrelas!
Quero guardá-las em uma caixa vermelha aveludada, usar a luz como abajur, nomeá-las, viver mais uma vida observando sua perfeição da janela do meu quarto, e imaginando quantos mais olhares e pensamentos estão sendo gastos naquele momento.
Que graça tem um céu sem estrelas? Por que não se mostram o dia todo? E se ao invés de sol tivéssemos um amontoado delas?
Eu não sei o que penso quando olho pro céu, e nem o que sinto quando deixo de olhar, sei que me prendo nas estrelas, pois são mágicas, feiticeiras!
terça-feira, 12 de abril de 2011
terça-feira, 5 de abril de 2011
Meu anjo bochechudo
Família a gente não escolhe, nem quando temos essa chance, o destino ou qualquer outra força maior coloca em nossas vidas aquele ser do tamanho exato da necessidade.
E foi exatamente assim, depois de muita insistência, no auge da minha rebeldia que convenci a família toda que precisávamos de um cachorro. Chegamos a casa daquela família incrível aonde uma boxer caramelo bem parecida com que eu tinha perdido meses atrás veio nos receber, botando ordem no pedaço e defendendo a cria. Adorei a filhotinha Mel, gordinha e meiga como a mãe, e decidi, vamos levar. Já estava de saída quando tropecei naquela coisinha rajada mordendo minha Melissa, bati o pé no chão e ele soltou um mega latido, abanou o rabo tão forte que chegou a deitar de lado, me conquistou, tive certeza naquela troca de olhares que era Ele!
A gente se amou naquele segundo, eu já sabia que tinha ganhado um companheiro. Mal educado, fujão, bagunceiro e elétrico, na primeira semana em casa ele destruiu vários pacotes de papeis higiênico, chinelos, mastigou as latinhas de comida, rolou em uma assadeira de gordura e deixou claro que seria uma figurinha inesquecível em nossas vidas, amigo, presente nas fases mais importantes, odiava briga, toda vez que ouvia gritos se desesperava latindo e pulando, matador profissional de baratas, parece que sabia do meu medo, me olhava com aquela cara de “fique tranqüila, eu te protejo.” Esteve presente nos meus encontros escondidos e nos meus churrascos com amigos, aonde chegava passar mal com tanta carne que ganhava, tinha um olhar que desarmava, eram 3 kg de lingüiça pra ele e o que sobrava era nosso. Ele sempre soube da minha fraqueza, na vez que minha mãe saiu pra uma viagem e eu não conseguia dormir sozinha era ele que estava na cama, do meu lado, pegando no sono só depois de mim.
Difícil de acreditar, ele era um cachorro adestrado. Deitava, rolava, dava a pata, sentava e andava mancando, foi até convidado pra desfilar com a policia militar, mas nunca deixou de fazer xixi nas coisas, impossível calcular quantos lençóis jogamos fora, sem contar as inúmeras vezes que tivemos de lavar travesseiros e toalhas de mesa, minha mãe ameaçou durante toda sua vida “VOU COLOCAR ESSE CACHORRO NA RUAAAAA!” e ele sempre deitava com as patas na cara fingindo não ser o protagonista do problema.
Não consigo aceitar que não tenho mais esse carinho, que não vou mais ser recebida aos gritos e nem ter com quem sentar na varanda até de madrugada, perdi um dos amigos mais fiéis que tive durante toda minha vida, um amigo que nunca se ausentou, um amigo que não sai da cabeça e nem do coração.
Obrigada grande Thor por tudo que fez por nós, saudades eternas, vá com Deus!
E foi exatamente assim, depois de muita insistência, no auge da minha rebeldia que convenci a família toda que precisávamos de um cachorro. Chegamos a casa daquela família incrível aonde uma boxer caramelo bem parecida com que eu tinha perdido meses atrás veio nos receber, botando ordem no pedaço e defendendo a cria. Adorei a filhotinha Mel, gordinha e meiga como a mãe, e decidi, vamos levar. Já estava de saída quando tropecei naquela coisinha rajada mordendo minha Melissa, bati o pé no chão e ele soltou um mega latido, abanou o rabo tão forte que chegou a deitar de lado, me conquistou, tive certeza naquela troca de olhares que era Ele!
A gente se amou naquele segundo, eu já sabia que tinha ganhado um companheiro. Mal educado, fujão, bagunceiro e elétrico, na primeira semana em casa ele destruiu vários pacotes de papeis higiênico, chinelos, mastigou as latinhas de comida, rolou em uma assadeira de gordura e deixou claro que seria uma figurinha inesquecível em nossas vidas, amigo, presente nas fases mais importantes, odiava briga, toda vez que ouvia gritos se desesperava latindo e pulando, matador profissional de baratas, parece que sabia do meu medo, me olhava com aquela cara de “fique tranqüila, eu te protejo.” Esteve presente nos meus encontros escondidos e nos meus churrascos com amigos, aonde chegava passar mal com tanta carne que ganhava, tinha um olhar que desarmava, eram 3 kg de lingüiça pra ele e o que sobrava era nosso. Ele sempre soube da minha fraqueza, na vez que minha mãe saiu pra uma viagem e eu não conseguia dormir sozinha era ele que estava na cama, do meu lado, pegando no sono só depois de mim.
Difícil de acreditar, ele era um cachorro adestrado. Deitava, rolava, dava a pata, sentava e andava mancando, foi até convidado pra desfilar com a policia militar, mas nunca deixou de fazer xixi nas coisas, impossível calcular quantos lençóis jogamos fora, sem contar as inúmeras vezes que tivemos de lavar travesseiros e toalhas de mesa, minha mãe ameaçou durante toda sua vida “VOU COLOCAR ESSE CACHORRO NA RUAAAAA!” e ele sempre deitava com as patas na cara fingindo não ser o protagonista do problema.
Não consigo aceitar que não tenho mais esse carinho, que não vou mais ser recebida aos gritos e nem ter com quem sentar na varanda até de madrugada, perdi um dos amigos mais fiéis que tive durante toda minha vida, um amigo que nunca se ausentou, um amigo que não sai da cabeça e nem do coração.
Obrigada grande Thor por tudo que fez por nós, saudades eternas, vá com Deus!
segunda-feira, 28 de março de 2011
I just want you to know who I am
E a mesma música que juntou os braços desfaz os laços, eu pensei em me despedir, pensei em agradecer, desejar tudo de bom e todas aquelas outras coisas prontas, mas optei pelo silêncio, de longe o silêncio mais aterrorizante, mais vazio, mais distante, silêncio forçado, que era imposto toda vez que eu me esforçava para argumentar, que grita de descontentamento e apaga toda vontade de tentar continuar.
Não desejo mal, não desejo bem, desejo não desejar. Segurar lagrima não é sinônimo de frieza, muito menos de orgulho, a frustração de ter sido exatamente como previsto é que não permite este tipo de espontaneidade, a vontade até veio, mas os olhos continuaram secos.
Não posso dizer que foi bom, porque as dores dos últimos dias provam o contrario, nem que foi ruim, porque os disparos no coração proporcionavam um bem-estar impar, então digo, no futuro do indicativo que será inesquecível. Pouco me importo com as proporções, para evitar que o nó na garganta se repita eu quero saber somente a quantidade da minha entrega, e guardar esse resultado em segredo, assim como todo resto. Quero continuar caminhando na mesma calçada, sentando na mesma mesa e dividindo a mesma cerveja, Quero rir, dançar, lembrar, quero ouvir essa mesma música, mas sem se abraçar.
*Pode ser uma história de amor sem dono, mas quem aqui falou em amor?
Não desejo mal, não desejo bem, desejo não desejar. Segurar lagrima não é sinônimo de frieza, muito menos de orgulho, a frustração de ter sido exatamente como previsto é que não permite este tipo de espontaneidade, a vontade até veio, mas os olhos continuaram secos.
Não posso dizer que foi bom, porque as dores dos últimos dias provam o contrario, nem que foi ruim, porque os disparos no coração proporcionavam um bem-estar impar, então digo, no futuro do indicativo que será inesquecível. Pouco me importo com as proporções, para evitar que o nó na garganta se repita eu quero saber somente a quantidade da minha entrega, e guardar esse resultado em segredo, assim como todo resto. Quero continuar caminhando na mesma calçada, sentando na mesma mesa e dividindo a mesma cerveja, Quero rir, dançar, lembrar, quero ouvir essa mesma música, mas sem se abraçar.
*Pode ser uma história de amor sem dono, mas quem aqui falou em amor?
quarta-feira, 16 de março de 2011
Toddy, Panqueca, Medalhão
Mudou meu humor, meu olhar, tirou minha concentração, me fez engordar, ela chegou!
TPM malditaaaaaaaaaaaaaaaa. Cinco dias de fragilidade não é muito pra um ser que já está sofrendo de ardência devido ao sol excessivo no final de semana? Minha mãe não estava lá pra passar protetor em mim, dormi no sol das 13h e fiquei roxa na parte da frente, tentem não visualizar, por favor, trabalhem com a possibilidade de eu ter ficado mulata que é bem mais agradável.
O muito parece pouco, o pouco parece nada e o nada transborda. Chorei assistindo a propaganda do Itaú, a tragédia do Japão no Jornal Nacional e a eliminação do BBB (que a minha chefe não veja que deixei a TV ligada só na globo) até que resolvi tomar 2 dramins e dormir, que esta, desde 1996, ano da minha primeira excursão é uma das piores ideias que tenho, só queria evitar um mal estar no ônibus e eu dormi o dia todo numa toalha estendida no chão perto do tobogã das “Águas Quentes de Piratininga”, mas ontem a intenção era mesmo desmaiar, pois até no cochilo da tarde eu sonhava com a insônia da noite e funcionou muitíssimo bem, descobri só pela manhã que fiquei em uma ligação de 39 minutos, o que não me desperta interesse algum em saber o assunto.
Explica-me, pra que tanta tensão? Sensação de esquecimento? Comer tanto chocolate? Porque sofrer em uma semana problemas de um mês? Parece brincadeira, frescura, graça, mimimi, mas não, é sério, tanto que ainda tenho 3 dias pra cometer um crime e ser absolvida, e isso vale também pra homicídio, CUI-DA-DO!
É só uma fase, uma queda de energia, forma errada que eu escolhi pra gritar que quero ser menos amável e mais amada, jaja passa.
Uma Rafaela incomoda muita gente, uma Rafaela de TPM incomoda, incomoda, incomoda, incomoda, incomoda, incomoda, incomoda, incomoda, incomoda, incomoda, incomoda, incomoda, incomoda, incomoda, incomoda, incomoda, incomoda, incomoda... MUITO MAIS!
TPM malditaaaaaaaaaaaaaaaa. Cinco dias de fragilidade não é muito pra um ser que já está sofrendo de ardência devido ao sol excessivo no final de semana? Minha mãe não estava lá pra passar protetor em mim, dormi no sol das 13h e fiquei roxa na parte da frente, tentem não visualizar, por favor, trabalhem com a possibilidade de eu ter ficado mulata que é bem mais agradável.
O muito parece pouco, o pouco parece nada e o nada transborda. Chorei assistindo a propaganda do Itaú, a tragédia do Japão no Jornal Nacional e a eliminação do BBB (que a minha chefe não veja que deixei a TV ligada só na globo) até que resolvi tomar 2 dramins e dormir, que esta, desde 1996, ano da minha primeira excursão é uma das piores ideias que tenho, só queria evitar um mal estar no ônibus e eu dormi o dia todo numa toalha estendida no chão perto do tobogã das “Águas Quentes de Piratininga”, mas ontem a intenção era mesmo desmaiar, pois até no cochilo da tarde eu sonhava com a insônia da noite e funcionou muitíssimo bem, descobri só pela manhã que fiquei em uma ligação de 39 minutos, o que não me desperta interesse algum em saber o assunto.
Explica-me, pra que tanta tensão? Sensação de esquecimento? Comer tanto chocolate? Porque sofrer em uma semana problemas de um mês? Parece brincadeira, frescura, graça, mimimi, mas não, é sério, tanto que ainda tenho 3 dias pra cometer um crime e ser absolvida, e isso vale também pra homicídio, CUI-DA-DO!
É só uma fase, uma queda de energia, forma errada que eu escolhi pra gritar que quero ser menos amável e mais amada, jaja passa.
Uma Rafaela incomoda muita gente, uma Rafaela de TPM incomoda, incomoda, incomoda, incomoda, incomoda, incomoda, incomoda, incomoda, incomoda, incomoda, incomoda, incomoda, incomoda, incomoda, incomoda, incomoda, incomoda, incomoda... MUITO MAIS!
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
Sem titulo, sem rótulos.
E eu que sempre fui prejudicada pelos atos impensados resolvi me prejudicar por pensar demais. Porque ao invés de me rotular como “atitude” eu não resolvo ter?
Venho por meio deste, assumir minha fraqueza e dizer que não consigo arriscar, não consigo permitir e nem ousar, mês passado ou dias atrás talvez fosse capaz disso, mas hoje não, amanhã talvez, mês que vem, sei lá, mas hoje não. Há dias venho conjugando o “querer” no tempo errado e isso me faz voltar pra casa descontente com a situação do “agora”, emotivamente raciocinando chego à conclusão que ao invés de prever eu preciso fazer acontecer, mas quem raciocina emotivamente? Pra mim, emoção e razão não cabem na mesma frase, muito menos em uma decisão.
Eu sou exagerada, trato o simples com uma complexidade que ultrapassa os limites da estratosfera, mas passou da hora de ser egoísta, de ligar o foda-se e ser fiel as minhas vontades, AS MINHAS VONTADES!
Se tudo der errado e vou lembrar somente da parte que deu certo.
Venho por meio deste, assumir minha fraqueza e dizer que não consigo arriscar, não consigo permitir e nem ousar, mês passado ou dias atrás talvez fosse capaz disso, mas hoje não, amanhã talvez, mês que vem, sei lá, mas hoje não. Há dias venho conjugando o “querer” no tempo errado e isso me faz voltar pra casa descontente com a situação do “agora”, emotivamente raciocinando chego à conclusão que ao invés de prever eu preciso fazer acontecer, mas quem raciocina emotivamente? Pra mim, emoção e razão não cabem na mesma frase, muito menos em uma decisão.
Eu sou exagerada, trato o simples com uma complexidade que ultrapassa os limites da estratosfera, mas passou da hora de ser egoísta, de ligar o foda-se e ser fiel as minhas vontades, AS MINHAS VONTADES!
Se tudo der errado e vou lembrar somente da parte que deu certo.
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Hoje não.
O assunto que não sai da minha cabeça não convém comentar, isso só vai piorar a dificuldade da mudança de pauta. Só sei que não agüento mais pensar, sonhar, temer e perguntar: Por que eu não fechei os olhos, PORRA?
Pensei em escrever sobre a falta que faz um funk numa festa de interior, ou comentar que arrancaram a porta do meu carro, que fui pular na piscina e mergulhei no chão, que tirei a sobrancelha pela primeira vez e não vi diferença alguma, que ralar na boquinha da garrafa te presenteia com 2 dias de dorflex, que pegar roupas na condicional te deixa cheia de moral (não era pra rimar), que passei da hora de deixar de ser uma passivona tosca, que inexplicavelmente estou triste com a aposentadoria do Ronaldo ou que ganhar elogios pelo seu desempenho no trabalho em plena segunda-feira está em 1º lugar das 10 coisas que nunca esperei receber, mas optei por não falar nada, só lembrar que horas desfragmentadas valem mais do que dias.
Pensei em escrever sobre a falta que faz um funk numa festa de interior, ou comentar que arrancaram a porta do meu carro, que fui pular na piscina e mergulhei no chão, que tirei a sobrancelha pela primeira vez e não vi diferença alguma, que ralar na boquinha da garrafa te presenteia com 2 dias de dorflex, que pegar roupas na condicional te deixa cheia de moral (não era pra rimar), que passei da hora de deixar de ser uma passivona tosca, que inexplicavelmente estou triste com a aposentadoria do Ronaldo ou que ganhar elogios pelo seu desempenho no trabalho em plena segunda-feira está em 1º lugar das 10 coisas que nunca esperei receber, mas optei por não falar nada, só lembrar que horas desfragmentadas valem mais do que dias.
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
21 de janeiro
Pra falar a verdade nem minha mãe sabe o momento exato, ela sempre diz 20h30, mas conheço bem aquela cara de incerteza, por isso nunca acreditei no meu mapa astral, com este horário meu ascendente é leão, mas e se for antes? E se for depois? E se eu realmente fui encontrada na caçamba como meu irmão sempre me aterrorizou e por isso escolheram esta data? Hm... não, acho que esta eu posso descartar, crianças que são encontradas por acaso recebem o nome de Vitória, é de lei, na seqüência os pais aparecem na Sônia Abrão falando que foi um “presente de Deus”, o que não é o meu caso, enfim, 21 de janeiro de 2011, mais um verão chuvoso, mais planos, mais medos, mais uma justificativa para os quilos que não canso de ganhar. 22 anos, idade que dizem ser o fim da adolescência, números que me presentearam com semanas dramáticas lamentando tudo que poderia ter feito, de consolo, parei de tentar me comparar com Mozart que aos cinco anos já compunha minuetos e me aceitei como um ser humano normal, que fez, faz e fará, mas tudo no seu tempo, transformando as frustrações em tijolos e talvez até a crise da meia idade eu tenha construído um lar confortável.
Cabelo vermelho, muito vermelho, parecido com o Bozo, quase não chorava, usava roupas de princesa e não trocava por nada a chupeta azul. Perna torta, voz rouca, temperamento dificílimo, odiada por todos os amigos do irmão, odiada algumas vezes pelo irmão também, daminha de honra de sete casamentos, nunca foi noiva de festa junina, fez aula particular de matemática, química e física, e este ano se forma em humanas. Quebrou o braço três vezes, a perna uma e deu cinco pontos no joelho, fez um mês de balé, depois mudou para o judô, a mais alta da turma, a mais desengonçada da turma, a mais encalhada da turma. Chata, briguenta, ciumenta, curiosa, hiperativa, cheia de toc’s e manias.
Quem sabe mais 22 anos? Quem sabe os gostos mudam? Quem sabe ao invés de esconder eu começo a doar os sapatos velhos? Quem sabe menos duvidas? Quem sabe?
Não canso de perguntar, de errar e de insistir. Não canso de comemorar.
Cabelo vermelho, muito vermelho, parecido com o Bozo, quase não chorava, usava roupas de princesa e não trocava por nada a chupeta azul. Perna torta, voz rouca, temperamento dificílimo, odiada por todos os amigos do irmão, odiada algumas vezes pelo irmão também, daminha de honra de sete casamentos, nunca foi noiva de festa junina, fez aula particular de matemática, química e física, e este ano se forma em humanas. Quebrou o braço três vezes, a perna uma e deu cinco pontos no joelho, fez um mês de balé, depois mudou para o judô, a mais alta da turma, a mais desengonçada da turma, a mais encalhada da turma. Chata, briguenta, ciumenta, curiosa, hiperativa, cheia de toc’s e manias.
Quem sabe mais 22 anos? Quem sabe os gostos mudam? Quem sabe ao invés de esconder eu começo a doar os sapatos velhos? Quem sabe menos duvidas? Quem sabe?
Não canso de perguntar, de errar e de insistir. Não canso de comemorar.
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